Fábio Assunção vai aparecer de batina em O País do Desejo, filme de Paulo Caldas ainda sem data de estreia. Rodado entre maio e junho, em Olinda e Recife, o novo longa do diretor de Baile Perfumado promete tocar na ferida da Igreja Católica ao apresentar a história de amor entre uma pianista (Maria Padilha) e o pároco de uma comunidade, vivido pelo ator.
“Encontrar humanidade para um padre que, antes de tudo, é um homem em conflito porque tem que seguir regras estabelecidas por uma instituição foi a dificuldade que enfrentei“, conta Fábio, que não é devoto de nenhuma religião.
O ator foi ao fundo do poço em 2008 e se afastou por dez meses das novelas, mas não perdeu a fé. Em setembro do ano passado, assumiu seu problema com a dependência química e, depois de muita luta, está livre das drogas há mais de um ano. Por isso, considera esse assunto página virada. “Minha filosofia é ter uma vida tranquila ao lado das pessoas que amo, ter conteúdo profissional e contribuir da forma que posso para um mundo melhor“, diz.
O longa, parceria entre Brasil e Portugal através da Bananeira Filmes, Fado Filmes e 99 Produções, conta a história de Roberta, pianista que sofre de uma doença crônica nos rins. Durante viagem pela área rural canavieira próxima à capital de Pernambuco, ela é internada na clínica dirigida pelo pai (Germano Haiut) e pelo irmão (Gabriel Braga Nunes) do padre José, por quem se apaixona. “A questão do padre José no filme representa a dificuldade que a Igreja tem de adequar seus valores à realidade em que vivemos“, analisa Fábio, criticando o caso da menina de 9 anos que foi violentada pelo padrasto, ficou grávida de gêmeos e foi excomungada após fazer um aborto, em 2009.
Para o ator, que volta à TV em 2011 na novela de Gilberto Braga, trabalhar com Maria Padilha e Paulo Caldas foi essencial para a construção do personagem. “Fui encontrando o padre cena a cena, ao lado dos colegas. Maria entrou na lista das atrizes com quem quero trabalhar para sempre! Paulo é harmonioso e objetivo“, elogia.
Grisalho, ele esclarece que não houve caracterização especial para o papel. “Acho que houve uma passagem de tempo, mas foi da última vez que você me viu“, brinca com o repórter. Seu único sofrimento no momento tem a ver com a proximidade do aniversário, dia 10 de agosto. “Estou tão apreensivo com os 39 que completo este ano que nem consegui pensar nos 40 ainda“, revela, aos risos.
Fonte: Terra Cinema









